Olá, matilha! Eu sou o João Cachorro, e hoje vamos falar sobre um comportamento que, de tão comum, às vezes passa despercebido, mas que pode ser um grande sinal de alerta: a lambedura excessiva de patas.
Eu sei que lamber as patas é um comportamento natural de higiene para nós, cães. É como se fosse o nosso “manicure” particular. No entanto, quando essa lambedura se torna compulsiva, constante e chega a causar feridas, vermelhidão ou mau cheiro, é hora de ligar o sinal amarelo.
Cachorro Lambendo a Pata
A pata é a nossa “mão” e o nosso “pé”, e qualquer desconforto ali pode ter origem em três grandes áreas: Dermatológica (Alergia), Comportamental (Ansiedade/Tédio) ou Ortopédica (Dor).
Neste guia completo, vou te ajudar a entender as causas, a fazer um diagnóstico inicial em casa e, o mais importante, a encontrar as soluções eficazes para que seu amigo pare de lamber as patas e volte a ter uma vida tranquila.
Índice

1. Causas Dermatológicas: O Inimigo Invisível na Pele
As causas dermatológicas são, de longe, as mais comuns para a lambedura excessiva. A coceira (prurido) é o principal motor desse comportamento.
A. Alergias (O Grande Vilão)
Alergias causam inflamação e coceira intensa, e as patas são uma das áreas mais afetadas.
- Dermatite Atópica (Ambiental): Alergia a substâncias presentes no ambiente, como pólen, ácaros, mofo ou grama. O contato direto com o chão e a grama faz com que as patas sejam as primeiras a reagir.
- Alergia Alimentar: Reação a proteínas específicas na dieta (como frango, carne bovina ou grãos). A coceira é generalizada, mas a lambedura das patas é um sintoma muito comum.
- Dermatite Alérgica à Picada de Pulga (DAPP): Uma única picada de pulga pode desencadear uma reação alérgica intensa, levando à coceira e lambedura.
B. Infecções e Fungos
A umidade constante entre os dedos e coxins, causada pela própria lambedura, cria um ambiente perfeito para a proliferação de microrganismos.
- Pododermatite: Inflamação da pele das patas.
- Fungos (Malassezia): Causa uma coloração avermelhada ou marrom-ferrugem na pelagem da pata (o famoso “dedo sujo”) e um cheiro forte e adocicado.
- Bactérias: Infecções secundárias que causam dor, inchaço e pus.
C. Corpos Estranhos e Lesões
Pequenos objetos podem se alojar entre os dedos e causar dor e irritação.
- Espinhos e Grama: Sementes de grama (como o capim-anexo) podem penetrar na pele e migrar, causando inflamação e dor intensa.
- Cortes e Queimaduras: Lesões nos coxins (almofadas das patas) causadas por vidro, asfalto quente ou gelo.
2. Causas Comportamentais: A Mente Inquieta
Quando as causas médicas são descartadas, a lambedura pode ser um sintoma de um problema emocional.
A. Ansiedade e Estresse
A lambedura excessiva pode ser um comportamento de deslocamento ou um mecanismo de auto-conforto para lidar com o estresse e a ansiedade.
- Ansiedade de Separação: O cão lambe as patas compulsivamente antes ou logo após o tutor sair, como forma de aliviar o pânico.
- Fobias: Medo de barulhos altos (fogos de artifício, trovões) pode levar o cão a lamber as patas como uma válvula de escape.
B. Tédio e Falta de Estímulo
Um cão que passa muito tempo sozinho, sem brinquedos ou atividades para fazer, pode desenvolver a lambedura como um comportamento repetitivo e compulsivo.
- Dermatite Psicogênica: Em casos extremos, a lambedura constante pode se tornar um hábito vicioso, causando uma lesão crônica na pele que não tem mais uma causa física, mas sim psicológica.
3. Causas Ortopédicas: A Dor Escondida
A dor em uma pata ou articulação pode levar o cão a lamber a área afetada na tentativa de aliviar o desconforto.
- Artrite e Artrose: Mais comum em cães idosos ou de raças grandes. A dor crônica nas articulações pode fazer com que o cão lamba a pata para tentar massagear ou aliviar a dor.
- Lesões Musculares: Distensões ou luxações que causam dor localizada.
Soluções Eficazes: O Que Fazer em Casa e Quando Ir ao Vet
A solução depende da causa. O primeiro passo é sempre descartar a causa médica.
Passo 1: Descarte a Causa Médica (VETERINÁRIO!)
Se a lambedura é súbita, intensa, causa vermelhidão, inchaço, ferida ou mau cheiro, a visita ao veterinário é inadiável.
- Exames: O veterinário fará exames (raspado de pele, citologia) para identificar fungos, bactérias ou ácaros.
- Tratamento: O tratamento pode incluir antibióticos, antifúngicos, medicamentos para dor ou, no caso de alergias, dietas de exclusão ou medicamentos específicos.
- Colar Elizabetano: Pode ser necessário para interromper o ciclo de lambedura-infecção-lambedura.
Passo 2: Abordagem Comportamental (Se a Causa Médica For Descartada)
Se o veterinário descartar problemas físicos, o foco deve ser no enriquecimento ambiental e na redução do estresse.
| Causa Comportamental | Solução do João Cachorro |
| Ansiedade/Estresse | Dessensibilização: Pratique saídas e chegadas neutras (como ensinado no artigo sobre Ansiedade de Separação). |
| Tédio/Falta de Estímulo | Enriquecimento Ambiental: Aumente a frequência e a qualidade dos passeios. Use brinquedos interativos, Kong recheado e jogos de inteligência para ocupar a mente. |
| Hábito Compulsivo | Redirecionamento: Quando o cão começar a lamber, redirecione a atenção dele para um brinquedo ou um comando (como “Senta” ou “Deita”). Nunca brigue ou grite. |
Passo 3: Cuidados de Higiene e Prevenção
- Limpeza: Lave as patas após passeios, especialmente se ele pisar em grama ou produtos químicos. Seque muito bem entre os dedos.
- Controle de Parasitas: Mantenha o antipulgas e carrapatos rigorosamente em dia.
- Dieta: Se houver suspeita de alergia alimentar, converse com o veterinário sobre uma dieta de exclusão ou uma ração hipoalergênica.
Conclusão: A Pata Saudável é a Pata Tranquila
A lambedura excessiva é um sintoma, não a doença. É a forma que seu cão encontra para dizer: “Algo está me incomodando!”
Seja um detetive atencioso. Observe quando e onde ele lambe. Com a ajuda do seu veterinário e as técnicas comportamentais corretas, você pode quebrar esse ciclo e garantir que as patas do seu amigo voltem a ser usadas apenas para correr e brincar.
Lambeijos de pata limpa!
Assinado: João Cachorro.
Perguntas Frequentes
1. Lamber a pata é sempre um sinal de problema?
Não, lamber a pata é um comportamento natural de higiene. O problema surge quando a lambedura se torna excessiva, compulsiva, repetitiva e você nota vermelhidão, inchaço, mau cheiro ou feridas na região. Nesses casos, é um sinal claro de que algo está incomodando seu cão (alergia, dor ou ansiedade).
2. Como saber se a causa é alergia ou ansiedade?
O diagnóstico diferencial é crucial e deve ser feito pelo veterinário. No entanto, você pode observar:
•Alergia: Geralmente, a lambedura é acompanhada de coceira em outras partes do corpo, vermelhidão, e o cão pode ter um cheiro de “pão” ou “queijo” (indicando fungos).
•Ansiedade/Tédio: A lambedura costuma ocorrer em momentos de inatividade, quando o cão está sozinho, ou em resposta a gatilhos de estresse (como fogos de artifício).
3. Posso usar remédios caseiros para parar a lambedura?
Não é recomendado usar remédios caseiros sem o diagnóstico de um veterinário. Soluções como vinagre ou bicarbonato de sódio podem aliviar temporariamente, mas se a causa for uma infecção fúngica ou bacteriana, você estará apenas mascarando o problema e atrasando o tratamento correto. O ideal é buscar o diagnóstico e, se for comportamental, usar técnicas de enriquecimento ambiental.
4. O que é o “dedo sujo” e o que ele indica?
O “dedo sujo” é a coloração avermelhada ou marrom-ferrugem que aparece na pelagem da pata. Essa cor é causada pela porfirina, uma substância presente na saliva, que mancha o pelo claro. A mancha indica que a lambedura é crônica e, na maioria das vezes, está associada à proliferação do fungo Malassezia (que adora umidade e calor), um forte indicativo de alergia ou infecção.
5. O colar elizabetano resolve o problema?
O colar elizabetano (ou cone) é uma ferramenta temporária e essencial para interromper o ciclo de lambedura-infecção-lambedura, permitindo que a pele se cure. No entanto, ele não trata a causa do problema. Se a causa for alergia, ela continuará coçando. Se for ansiedade, ela continuará ansiosa. O colar deve ser usado em conjunto com o tratamento médico ou comportamental adequado.
Referências:
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